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A alma em coma.

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As vezes a inspiração vem de encontro a mim enquanto navego em minha mente sobre assuntos do passado, presente e futuro. E é possível achar graça em como as coisas estão, relativamente falando ao que ocorreu, acho que isso é até bom.

Sei que quando a dor arde queimando o corpo e fazendo a cabeça latejar, a primeira coisa que se pensa é: "Gostaria de ter o dom de voltar o tempo. Refazer as coisas. Refazer...o tempo.". Não tente negar, sei claramente que é assim, ou acha que estaria aqui escrevendo asneiras ─ que provavelmente nunca serão vistas por outros olhos além dos meus ─ por ler na alma de um ser tristonho o quão esse tipo de ferida é visivelmente invisível e dolorosa. O quão a angústia pode machucar mais que um prego enferrujado no pé, comparação tola mas eu sei, você sabe, é praticamente impossível descrever exatamente essa dor. E mesmo assim, eu tento. 

Tento como sempre tentei entender o porque de você ter ido embora e não ter me levado junto. Poxa, eu não iria pedir que me compreendesse a todo instante, apenas sua atenção e seus braços acolhedores me deixariam satisfeita. Por completo. 

Só de lembrar-me de como era meses atrás ao seu lado, sinto-me em um coma alcoólico em qual o álcool, é seu próprio ser. Eu segurava os copos e você os preenchia com palavras, esperanças, promessas. Sem nenhum pudor eu levava o seu próprio ser a minha boca e me deliciava com a sensação que me causava por dentro. Na alma. Em coma de seu amor, não vejo que seja algo negativo, mesmo hoje. 

Mas oh, veja o que tu me causa! Toda vez que vou escrever algo, sempre termino falando de você. Deixa meus textos sem pé nem cabeça, sem sentido pra quem lê ─ desde que quem o leia, não seja nenhum de nós. Deve ser porque o que está em minha mente, quando as vezes a inspiração vem de encontro a mim, é você.